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Avatar de Fabio Monteiro de Moraes

Excelente Análise! É justamente a ausência de uma crítica ancorada na economia política, que muitas vezes leva a lente decolonial reduzir a prática política à reivindicação de representatividade formal nos espaços hierarquizados na-e-pela estrutura capitalista.

Avatar de Luis Santos

Professor Silvio, li seu artigo e entendi as razões de não ser decolonial. Confesso que senti falta de uma menção ao pensamento contracolonial de Nego Bispo, visto que ele também critica o conceito decolonial. Além disso, ele o faz a partir de uma vivência que parece questionar o próprio método (ou rigor metodológico) que o senhor defende. Me parece um bom contraponto, um outro olhar crítico.

Em entrevista ao professor Walter Omar (UERJ) há alguns anos, Bispo faz uma distinção muito clara dizendo que a educação formal é um processo de 'adestramento' que nos molda para servir ao sistema e propõe que ele seja substituido pela 'criação', que é o saber orgânico de quem sabe fazer sua própria casa, sua roça e sua música sem precisar de intermediários acadêmicos.

Enquanto o senhor afirma que a compreensão do mundo exige mediação teórica e trabalho conceitual, ele critica os intelectuais que agem como gestores de trajetórias alheias e que vendem dificuldades para oferecer facilidades. Gosto dessa critica corajosa e frontal que ele traz e do argumento de que os quilombos continuam a resistir a tudo isso.

A entrevista: https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/transformacao/article/view/17036

Minha pergunta sincera (e que talvez caiba na parte 2) é: como o marxismo pode dialogar com as bases considerando essa distinção entre o ensinar (adestrar) e o criar (viver)? O senhor não teme que, ao exigir uma densidade analítica, sua crítica acabe se tornando exatamente o que Bispo denunciava: um saber que distancia o povo de sua própria capacidade de criar a vida?

Obs.: participo de alguns coletivos como a Soberana e o Nucleo de Tecnologia do MTST e essas duvidas/desafios me são constantes.

Parabéns pelo artigo e obrigado por continuar a compartilhar e nos fazer refletir.

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